As vezes você se faz essa pergunta. Para não ser pego de surpresa, veja o que esperar do lugar para onde você está indo.

Archive for : fevereiro, 2015

Peru, Bolívia, Chile e as pessoas que encontramos por lá! Depois de Lima, à caminho para Machu Picchu

Esse post é uma continuação de:

Passando por Lima e conhecendo uma família bem acolhedora.

Visitando Arequipa e Huacachina em Ica.

Mais perto da cidade perdida

Nosso destino saindo de Lima era Machu Picchu, mas para chegar lá, primeiro teríamos que ir para Cusco. Dessa vez tivemos que eliminar a opção ônibus. A viagem entre as duas cidades, nas companhias que pesquisamos, tinham duração de quase 24h! Descobrimos que os ônibus que fazem esse trajeto passam por Nasca, Ica e Arequipa antes de ir para Cusco, ou seja, o caminho inverso ao que tínhamos acabado de vir.  Então fomos de avião, compramos passagens pela Star Peru, que tinham o preço mais acessível, o que foi bom, porque não queríamos viajar de Avianca novamente.

Chegamos em Cusco ainda cedo, era sábado e o nosso ingresso para Machu Picchu era para o domingo, mas queríamos ir para Aguas Calientes (ou Machu Picchu Pueblo, o vilarejo que fica aos pés de Machu Picchu) de uma vez, e deixamos Cusco para a volta. Então pegamos um táxi, e aí ocorreu um pequeno erro na comunicação. O taxista disse que nos levaria até Ollantaytambo, nos deu um valor que achamos justo, e seguimos com ele esperando uma viagem de mais de 1h. Mas ele nos levou apenas até o centro de Cusco, onde cobrou somente uma parte do valor, e nos informou que a outra parte era da van que nos levaria até Ollantaytambo (10 Nuevos Soles por pessoa). Foi tudo uma correria, assim que o táxi parou perto das vans, já apareceu gente de todo lado, tirando as mochilas do porta-malas e colocando em cima da van.

Van que leva de Cusco para Ollantaytambo

Van que leva de Cusco para Ollantaytambo

A viagem demorou cerca de 1h, e de lá fomos pegar o trem que leva até Aguas Calientes. A van para bem próximo à estação de trem onde existe 2 companhias que fazem a rota Ollantaytambo – Aguas Calientes. Uma é a Peru Rail, talvez a mais conhecida, com vários quiosques espalhados pelo Peru. A outra é a Inca Rail, com menos opções de horários mas com preços mais acessíveis, e foi a que escolhemos. É possível comprar os bilhetes antecipadamente pela internet, mas deixamos para comprar direto no guichê, morrendo de medo de não conseguir, pois em certas épocas é muito concorrido. No final das contas, quando chegamos lá nem tinha fila, porém vale lembrar que era baixa temporada.

Bilheteria da Inca Rail, em Ollantaytambo

Bilheteria da Inca Rail, em Ollantaytambo

Trem da Inca Rail, que nos levou até Aguas Calientes

Trem da Inca Rail, que nos levou até Aguas Calientes

A viajem durou cerca de 1h40. Foi bem tranquila, o nosso vagão estava muito vazio, somente 1 vagão ocupado com menos da metade da capacidade, pudemos até trocar de lugares e ficar mais confortáveis. Durante a viagem eles servem uma bebida, que pode ser escolhida entre algumas das opções disponíveis, como café, chá de coca ou suco. Em compensação os trens da Peru Rail parece que andam bem mais cheios, mesmo sendo mais caro. Olhando de fora, não parece que são mais confortáveis. Eles também possuem serviço de bordo, mas a principal diferença são os vagões com vista panorâmica. (Depois, em Cusco, encontramos uma brasileira, com quem fomos esbarrando pelo resto da viagem, que nos contou que ela foi e voltou de Peru Rail, que o trem era bacana, mas na volta estragou e eles ficaram parados por mais de 1h nos trilhos.)

Caminho para Aguas Calientes, seguindo rio abaixo

Caminho para Aguas Calientes, seguindo rio abaixo

Trem de Ollantaytambo até Aguas Calientes

Chegamos em Aguas Calientes no final da tarde. O trem desembarca praticamente dentro de uma feira, o “Mercado Artesanal”, onde vendem coisas típicas e artesanato. Estava começando a chover e não tínamos reservado nenhum hostel, deixamos para conhecer a feira depois e fomos a procura de um lugar não muito caro para ficar e encontramos o Hostel John. Descansamos o resto da tarde, e a noite saímos para comer. Optamos por comer uma pizza, um pouco diferente, massa fina, queijo estranho, mas até que estava gostosa. A cidade tem muitas opções de restaurantes e hostel/hotel/pensão, e uma coisa que chamou  muito a atenção foi que a maioria oferecia Wi-Fi e água quente como diferenciais.

A cidade, iluminada e colorida à noite

Aguas Calientes, iluminada e colorida à noite

No dia seguinte acordamos cedo e o céu estava azul com o sol brilhando, dia de sorte, pois subir a montanha na chuva não deve ser legal. Ao sairmos pudemos observar melhor a cidade de Aguas Calientes, e a boa impressão que tivemos à noite foi ainda melhor de dia. É um lugar impressionante, encravado no meio de montanhas, uma cidade pequena, fantástica, que vive do turismo gerado por Machu Picchu. Fomos direto comprar o bilhete do micro-ônibus que leva até a entrada do parque. Existem pessoas que fazem esse caminho a pé, inclusive encontramos uns franceses na Bolívia que nos contaram que escolheram essa opção, gastando em torno de 1h. É uma subida puxada, um caminho um tanto longo e com muitos degraus, mas se você tem tempo e está super em forma, boa sorte! Nós optamos por gastar o tempo andando dentro de Machu Picchu.

A cidade fica bem aos pés das montanhas

A cidade fica bem aos pés das montanhas

Os turistas saem para ir até Machu Picchu já antes do sol nascer. Os micro-ônibus saem de 5 em 5 minutos sempre cheios, com cerca de 30 pessoas. A passagem custa 19 dólares ida e volta, e demora 25 min para chegar até a portaria do santuário. O ideal é chegar lá com os ingressos comprados, pois existem diferentes tipos, e alguns você só consegue comprar antecipadamente. É o caso dos nossos, que incluía a subida à Huayana Picchu. Por dia é liberada a entrada de somente 400 pessoas, divididas em 2 horários, o que faz com que seja um ingresso disputado. Optamos pela segunda turma, com entrada permitida entre 10h e 11h. Conseguir comprar esses ingressos é uma aventura à parte. Eles são adquiridos através do site oficial de Machu Picchu, e é necessário ter um cartão de crédito Verified by Visa. Algumas pessoas tem muitos problemas para conseguir finalizar a compra, nós não conseguimos comprar de primeira, mas depois de algumas tentativas a compra foi concluída.

Entrada do Parque

Entrada do Parque

Na entrada, como era de se imaginar, haviam muitos turistas, mesmo sendo baixa temporada. Já de cara a gente percebeu que tínhamos chegado em um dos lugares mais fantásticos que iriamos conhecer nessa viagem. Subimos a primeira escada que vimos, que leva até o “Recinto del Guardian”, e pegamos o caminho para “Intipunku” (The Sun Gate). Porém o caminho era longo, andamos até a metade e, quando olhamos para o relógio, percebemos que o tempo não era suficiente para chegarmos ao topo e ainda voltar até a Huayna Picchu, então resolvemos desistir e ir direto para a entrada da montanha. Não foi nessa viagem que chegamos até o “Intipunku”.

Machu Picchu à primeira vista

Machu Picchu à primeira vista

Chegamos ao ponto de controle para subir Huayna Picchu por volta de 10h30. É preciso  carimbar o ingresso novamente, assinar uma lista e colocar o horário de entrada, pois eles fazem o controle do tempo que cada pessoa pode gastar na montanha, em torno de 3h, e se alguém demora muito mais que isso, os guias são acionados. É uma subida cansativa, e no final fica bem ingrime, porém não foi o suficiente para nos parar e chegamos até o topo. O negócio é ir subindo e descansando aos poucos, e se hidratar bastante. Muitos desistem no meio da subida, ou chegam só até um platô bem no alto e voltam. Encontramos brasileiros pelo caminho, como sempre, mas o mais engraçado foi encontrar com um casal de alemães, que não perderam a oportunidade de tirar um sarro da nossa cara por conta da vergonha da copa do mundo. Mas sem ressentimentos, rsrs.

Subindo a montanha!

Subindo a montanha!

Chegamos até o topo e lá havia um guia que controlava o horário, e assim que os últimos chegaram começou a solicitar que todos regressassem, pois já estava dando o tempo limite para a subida. Depois de um tempo para um lanche e umas fotos começamos a descida, que não é tão mais fácil que a subida. São muitos degraus, as vezes era preciso até sentar para conseguir descer. Chegamos no ponto de controles gastando um tempo total 2h45.

Subimos, subimos, subimos... e chegamos!!! Ponto mais alto da Huayna Picchu

Subimos, subimos, subimos… e chegamos!!! Ponto mais alto da Huayna Picchu

Lanchinho e pausa pra descanso, porque agora tem que descer!

Lanchinho e pausa pra descanso, porque agora tem que descer!

E a descida também é dificil...

E a descida também é dificil…

Tínhamos mais umas 3h para andar pela cidade inteira, e não dava para fazer tudo. Mas Machu Picchu é realmente incrível, andamos por todas as partes que conseguimos, e ficamos com vontade de voltar depois, para aproveitar com mais calma. Como optamos por andar sem guia, ficamos só seguindo o mapa, mas é impossível não ficar surpreendido com a beleza do lugar, e não imaginar a vida do povo Inca lá. Bom, as fotos falam por si só…

A cidade perdida! Uma visão geral de Machu Picchu

A cidade perdida! Uma visão geral de Machu Picchu

"Puente Inka", um dos lugares onde conseguimos chegar

“Puente Inka”, um dos lugares onde conseguimos chegar

Saímos de lá quando o parque já estava fechando, carimbamos nosso passaporte, e pegamos o micro-ônibus de volta à Aguas Calientes. Estávamos cansados, mas a cidade é tão encantadora que resolvemos andar por ela para conhecer melhor os lugares mais distantes do centro, afinal era nosso último dia ali. Fomos até o campo de futebol, chamado “Estadio José Nouchi Portillo”, e depois até as piscinas termais, pois já estava ficando frio, e a promessa de água quentinha era bem reconfortante. Mas era preciso alugar toalhas e chinelos, estava tão cheio, parecia um piscinão, então desistimos, torcendo para a água no chuveiro do hostel estar quente.

carimbo-passaporte

Carimbo do parque

"Aguas Calientes"

“Aguas Calientes”

"Aguas Calientes"

“Aguas Calientes”

Descemos seguindo o rio que corta todo o vilarejo, chamado “Rio Aguas Calientes”, e de lá fomos até a feirinha conhecer um pouco mais do artesanato peruano, já que em Lima não tivemos essa oportunidade. Depois foi a hora do supermercado, fizemos as compras do nosso sanduíche-jantar daquela noite e voltamos para comer no hostel. Não queríamos dormir tarde, além de cansados, ainda tínhamos que arrumar as malas, pois iríamos embora na manhã seguinte, de volta à Ollantaytambo.

Fotos de Aguas Calientes e Machu Picchu