As vezes você se faz essa pergunta. Para não ser pego de surpresa, veja o que esperar do lugar para onde você está indo.

Peru, Bolívia, Chile e as pessoas que encontramos por lá! Visitando Arequipa e Huacachina em Ica.

Este post continua em:

Passando por Lima e conhecendo uma família bem acolhedora.

Depois de Lima, à caminho para Machu Picchu.

Enfim, férias!

Em 2014 nada de velho continente, fomos conhecer um pouco mais da América do Sul. Escolhemos visitar os vizinhos, Peru e Bolívia, e dar um pulo um pouco mais longe, no Chile. O que íamos ver por lá? Os lugares já esperados, como Machu Picchu, Isla Del sol, Deserto de Trens, Salar de Uyuni, Hotel de Sal e Laguna Colorada. Encontramos alguns lugares que nos surpreenderam, como Oasis de Huacachina e San Pedro do Atacama. Mas além das belezas naturais de cada lugar, o que mais nos surpreendeu foram as pessoas que cruzaram nosso caminho.

O início foi mais difícil. Passamos 2 noites em aeroportos, pois nossa passagem foi comprada de ida e volta para Santiago, mas nossa viagem começaria mesmo no Peru. Motivo? Entre os 3 países é a capital que tem os melhores preços em passagens aéreas. Para Bolívia e Peru as passagens estavam muito mais caras. Optamos então por montar um cronograma no qual chegaríamos no Chile, mas iríamos direto para o Peru, depois para a Bolívia e retornaríamos ao Chile no final.

 

Dormindo no aeroporto

 

Compramos uma passagem adicional de Santiago no Chile para Arequipa, no Peru, pela Avianca, mas só tivemos más impressões dessa companhia. Primeira chateação, uma escala absurda. O voo saindo de Santiago passaria primeiro em Lima, e demoraria quase 12h para sair novamente para Arequipa, que pelo mapa ficava na metade do caminho por onde viemos do Chile. Mas era o único voo disponível a preço razoável, e o ônibus de Santiago para Arequipa levaria mais de 36h pra chegar. Segunda chateação, o voo atrasou quase 1h para sair. Mas havíamos passado a noite no aeroporto, então estávamos tão cansados que logo ao entramos na aeronave, apagamos.

No aeroporto em Lima tínhamos que fazer hora até o próximo embarque. Passamos em um ponto de informação onde a atendente nos atendeu super bem, e nos deu mapas de praticamente todas as cidades que iríamos visitar no Peru. Ela nos deu um cartão com os números da policia peruana e nos informou alguns valores de táxi. No Peru você combina o valor da corrida com o taxista antes, então ela nos passou uma ideia de preço que seria justo. Fizemos um lanche no Subway de lá, e experimentamos o Barbecue Ribs que não existe por aqui, e ficamos esperando o horário do embarque, marcado para 18h30.

 

Almoço do dia: Subway peruano

 

Aí veio a terceira chateação, mais de uma hora de atraso novamente, mas dessa vez não chamaram nem para o embarque. Quando anunciaram o portão, os passageiros formaram a fila, mas nada de liberar o embarque, e isso já eram quase 20h. De repente anunciam que o voo estava super lotado e tinha mais passageiros do que lugar na aeronave, e precisavam de 5 voluntários para embarcar no dia seguinte. A empresa pagaria a estadia em um hotel com jantar e o traslado ida e volta. Já estávamos há quase 48h só em aeroporto, iríamos chegar em Arequipa muito mais tarde que o previsto devido as atrasos, e chegar numa cidade desconhecida (e sem reserva de hotel) quase de madrugada não seria muito bom. Então resolvemos ficar, e nos voluntariamos.

Fizemos o procedimento de cancelamento, pegamos os vouchers e esperamos nossas malas de volta. O processo inteiro demorou tanto que saímos do aeroporto depois das 22h. Fomos para o hotel junto com uma família que também decidiu ficar, um pai com 2 filhos. Eles eram Peruanos e viviam em Arequipa. Conversamos bastante no caminho sobre assuntos variados, e, em um minuto de silêncio, o pai das crianças nos brinda com umas lembranças do Peru. Ele tirou 2 chaveiros típicos do país da mochila, desejando boas vindas e boa sorte, e assim nos deu os primeiros indícios do que esperar em nossa viagem.

 

Presentes e a primeira boa impressão

 

O hotel, que por sinal era super bacana, ficava num dos bairros mais populares da cidade, e o jantar estava muito gostoso. De entrada uma salada com folhas, tomate, cebola e abacate. O prato principal era o Lomo Saltado, um dos pratos típicos do Peru, feito com carne de boi, cebola e tomate acompanhado de batatas fritas e arroz. E de sobremesa uma torta de morango. Dormimos um pouco, e às 3h um táxi estava nos esperando na portaria para nos levar de volta ao aeroporto, onde pegaríamos o voo às 5h. Dessa vez não tivemos problemas com o embarque, mas a Avianca estava lotada e confusa, muitos passageiros reclamando, uma verdadeira bagunça. Essa empresa, nunca mais!

Chegamos em Arequipa por volta de 10h, e pegamos um táxi do aeroporto até a rodoviária, porque queríamos já comprar a passagem para Ica. Do Aeroporto de Arequipa não tem ônibus para o centro da cidade, mas é muito barato andar de táxi no Peru. Compramos as passagens para Ica para o final do dia pela empresa Cruz del Sur, para viajar durante a madrugada. Uma coisa muito legal que eles fazem por lá é que você pode deixar sua mala na empresa de ônibus até o horário da viagem, então não foi preciso de guarda-volumes (na Europa tivemos alguns problemas com lockers).

Com as questões das malas e das passagens resolvidas, voltamos para o centro para conhecer melhor a cidade. Tínhamos um mapa, e fomos seguindo pelos pontos importantes destacados nele. Vimos prédios bem bonitos, igrejas, e continuamos até chegar ao “Mercado San Camilo”, uma espécie de mercado central. Já estávamos com fome, mas não tivemos coragem de comer nada por lá.

 

"Iglesia Santo Domingo"

“Iglesia Santo Domingo”, em Arequipa

 

"Mercado San Camilo"

“Mercado San Camilo”

 

Saímos de lá e continuamos andando, procurando um bom lugar para comer. Queríamos algum prato típico, e escolhemos um restaurante com cara de pub, o Farren’s Irish Bar. Pedimos dois pratos, o nosso já conhecido Lomo Saltado, que estava bom, mas que não chegava aos pés daquele que comemos no restaurante em Lima, e o Rocoto Relleno, que é tipo um pimentão assado recheado com carne moída e molho de ají, que nos disseram que era picante. Mas era muito picante, foi impossível comer o prato todo! Descobrimos ali que tínhamos que tomar cuidado com o tal do ají.

Após o almoço, e muita água para ajudar a tirar o ardido da boca, continuamos nosso passeio. A ideia era ir até o ponto mais distante no nosso mapa. No caminho passamos por pequenas ruas e avenidas muito movimentadas, e havia muitos policiais na rua, muitos deles mulheres. O trânsito por lá é muito complicado, e pegar ônibus parecia uma aventura. Depois de muito andar, chegamos até Yanahuara, que é um distrito de Arequipa. Lá existe um mirante, de onde pode-se observar o “Vulcan Misti”.  Há também uma igreja, uma praça e algumas feiras de artesanato, com coisas típicas peruanas.

 

"Mirante de Yanahuara"

“Mirante de Yanahuara”

 

Voltamos para Arequipa, passamos mais uma vez pela “Plaza de Armas”, onde encontramos um supermercado e depois e fomos para um café, pois estava quase escurecendo, e estava ficando muito frio. No final do dia voltamos para a rodoviária e pegamos nosso ônibus para Ica, uma viagem de aproximadamente 12 horas. Uma coisa que descobrimos na rodoviária é que é preciso pagar uma taxa de embarque separada das passagem. Existe um guichê central onde faz esse pagamento, é baratinho, mas você não embarca se não pagar.

 

"Plaza de Armas"

“Plaza de Armas” e o “Museo e la Catedral de Arequipa” ao fundo

 

"Museo de la Catedral"

“Museo de la Catedral”, uma das últimas imagens antes de nos despedirmos da cidade

 

Desembarcamos na rodoviária por volta de 11h. Na verdade é mais a garagem da empresa Cruz del Sur, onde ficam os ônibus e eles vendem as passagens. Assim que descemos do ônibus, vários taxistas nos abordaram, perguntando se queríamos um táxi para Huacachina, que é o principal ponto turístico da cidade, um oásis em Ica. Como detestamos esse assédio, já fomos dizendo não para todos e nos afastando. Sentamos, pegamos o mapa e começamos a planejar o que faríamos. Até que apareceu uma figuraça, Hector, um taxista que nos abordou de forma diferente, nos explicando como funciona a cidade e nos dando algumas dicas. Ele nos disse que em Ica não tem nada para fazer, e que é um lugar que pode ser até perigoso para turistas em dias de feriado, e era o caso, e que o melhor seria ir para Huacachina, que lá seria mais tranquilo e que a hospedagem não era muito cara como estávamos imaginando. Resolvemos dar um voto de confiança, e fomos com ele para Huacachina.

No meio do caminho, papo vai papo vem, Hector nos mostra uma pasta com alguns bilhetes deixados por turistas anteriores. Conversamos mais e, como não poderia deixar de ser, depois do futebol, o papo chegou na caipirinha. Perguntamos se ele já havia experimentado, e ele disse que nunca, que seus amigos quando vieram para o Brasil não levaram pinga para ele e foi o suficiente para nós. Tínhamos uma garrafa de pinga na mala, que íamos presentear nosso anfitrião em Lima, mas com essa conversa, não resistimos, tivemos que abrir a garrafa, encher uma garrafinha de plástico e dar um pouco pra ele, e então o Hector finalmente teve a oportunidade de experimentar uma pinga do Brasil.

 

Huacachina

Oásis em Huacachina

 

Hector nos indicou um lugar bacana para ficar em Huacachina, e combinamos com ele para nos buscar na manhã seguinte. Andamos bastante pelas areias do oásis, e escolhemos um lugar para almoçar – comida de mochileiro, como dizia no cardápio, que nada mais era do que um prato de espaguete verde com queijo e um arroz com frango e legumes. A tardinha fizemos um passeio de buggy com direito a sandboard, e a galera que foi com a gente era bem animada. O passeio foi um dos pontos fortes da nossa passagem pelo peru, nos vídeos dá pra ter uma noção de como foi emocionante. Conhecemos um casal que voltamos a encontrar em várias cidades durante nossa viagem, por ironia do destino, sempre esbarrávamos com eles. Nos encontramos em Cusco, Copacabana, Isla Del Sol e San Pedro do Atacama.

 

Buggy em Huacachina

Buggy nas dunas de Huacachina

 

Buggy nas dunas de Huacachina

Buggy nas dunas de Huacachina

 

No dia seguinte Hector apareceu pontualmente, voltamos para Ica e foi ali que deixamos nosso camarada Peruano, que não gosta dos chilenos e torceu pelo Brasil na Copa do Mundo.

 

com Hector

Hector, o taxista mais simpático que encontramos pelo caminho

 

Em Ica tínhamos um tempo antes do horário de partida do nosso ônibus, então deixamos nossas malas novamente na empresa, pegamos o mapa e fomos andar um pouco pela cidade. Caminhamos até a Praça de Armas e dali pra frente íamos passando pelas ruas aleatoriamente, seguindo alguns pontos destacados no mapa.

 

"Catedral Iglesia De La Merced"

“Catedral Iglesia De La Merced”, em Ica

 

Estávamos com uma máquina fotográfica compacta e com uma mochila, que continha água e suprimentos para passarmos a tarde. Quando íamos virar uma esquina, um mototáxi parou próximo a nós e o motorista começou a gesticular e falar tão rápido que não entendemos nada. Como é costume deles buzinarem quando veem turistas, não demos muita atenção e continuamos andando, ate que um senhor que estava na rua ouviu e começou a nos chamar. Paramos e tentamos entender o que eles estavam tentando dizer, até que percebemos que era para voltar, não continuar naquela direção, que era perigoso. O motorista do mototáxi estava gesticulando desesperadamente, algo como “Não vão por ai, eles te roubam com arma, te matam”. E foi até ai que conhecemos Ica, voltamos para a Praça de Armas quase correndo, comemos em um restaurante por ali e fomos direto pegar nosso ônibus para Lima.

Não deixe de ler a continuação em:

Passando por Lima e conhecendo uma família bem acolhedora.

Depois de Lima, à caminho para Machu Picchu.

Fotos de Arequipa

Fotos de Huacachina e Ica

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